
A Oitava Maravilha do Mundo na Tela !!!


Ray Harryhausen
Harryhausen, satisfeito por sua
incursão inicial em Hollywood com as 7 Viagens de Simbad, continuou criando mais alguns
contos de fadas até ser convidado por Jack Dietz para seu primeiro trabalho integral em
um longa metragem, The Beast From 20.000 Fathoms (O Monstro do Mar). A partir dele,
Harryhausen passou a desenvolver a técnica de combinar o modelo animado com atores e
cenas em movimento, que ao ser aperfeiçoada passou a ser conhecida como Dynarama, ou
Dynamation. Curiosamente, o filme foi remotamente inspirado em um conto do amigo Ray
Bradbury, The Fog Horn (A Sereia de Nevoeiro, que foi publicado no Brasil no livro de
Bradbury Contos de Dinossauros, editora Artes e Ofícios, 1993. Bradbury dedicou este
livro a Willis O´Brien, e o prefácio foi escrito por Harryhausen). No filme, um
pré-histórico Rhedossauro é descongelado por uma explosão nuclear e viaja sob o mar
até Nova York para causar pânico e destruição, devorar policiais e ser morto em um
parque de diversões pelo novato Lee Van Cleef. O filme foi um inesperado sucesso de
bilheteria em 1952. Em 1953, através de um amigo comum, Harryhausen conheceu aquele com
quem teria uma duradoura parceria, Charles H. Schneer.
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Ele havia visto The Beast e gostado
muito, e também tinha planos de fazer um grande filme sobre um monstro destruindo a ponte
Golden Gate. Passaram a desenvolver idéias e scripts, enquanto tocavam outros projetos.
Fizeram juntos It Came From Beneath The Sea (O Monstro Do Mar Revolto, sobre um polvo
gigantesco que ataca São Francisco) e Earth Vs. The Flying Saucers (A Invasão dos Discos
Voadores, cuja cena memorável é a de um disco voador colidindo com o Capitólio de
Washington) para a Columbia. Para a Warner Bros, Harryhausen criou em 1956 algumas cenas
de dinossauros para o semi-documentário The Animal World, uma das
primeiras produções
escritas e dirigidas por Irwin Allen. Quando Schneer fundou sua própria companhia
(Morningside Productions), em 1957, Harryhausen pôde fazer 20 Million Miles To Earth (A
Milhões de Léguas da Terra), cuja idéia estava desenvolvendo há alguns anos. No filme,
uma espaçonave retorna de Vênus trazendo um ovo de uma criatura nativa, o Ymir. A nave
acaba caindo nas costas da Itália, o ovo se descasca e o então pequenino Ymir começa a
crescer até tornar-se um gigante. Capturado pelo Exército, é aprisionado no zoológico
de Roma para estudos. Consegue fugir e trava um feroz combate com um elefante. Sua última
batalha contra o exército ocorre no Coliseu de Roma. O filme marcou o início da
colaboração da dupla Schneer-Harryhausen com o diretor Nathan Juran, que continuou em
The 7th Voyage Of Sinbad e First Men In The Moon. O Ymir é até hoje é uma das criaturas
prediletas dos fãs de Harryhausen, e dele próprio. Eu acho que é um bom filme,
considerando o pequeno orçamento que tivemos. Seu custo total foi somente U$
200.000. Talvez a maior falha desse filme seja a falta de uma trilha sonora
original. Todos meus primeiros filmes usaram música pré-gravada, retirada de outros. É
realmente excitante ouvir a música que um compositor do nível de Bernard Herrmann compõe especialmente
para você, como em Simbad e a Princesa. Se o tivéssemos em 20 Million Miles... o filme
ficaria bem melhor.
A boa bilheteria do Ymir permitiu a Harryhausen e Schneer embarcarem em uma
viagem mais ambiciosa, através dos contos das 1.001 noites. O resultado foi sua primeira
obra-prima, The 7th Voyage of Sinbad (Simbad e a Princesa - Com belas locações na
Espanha, o filme mostra Simbad (Kerwin Mathews) e sua tripulação viajarem à misteriosa
ilha de Colossa, a fim de libertar sua amada princesa do feitiço do mago Sokurah (Torin
Thatcher). Pela primeira vez, Harryhausen criou toda uma galeria de criaturas animadas
quadro a quadro, como o Ciclope, o Pássaro Roca, a Mulher Serpente, etc. Apesar do
orçamento reduzido e das interpretações no máximo razoáveis, o filme é repleto de
grandes momentos pontuados pela excepcional música de Bernard Herrmann, destacando-se o
perfeitamente sincronizado duelo de Kerwin Mathews com o esqueleto. Para esta cena,
Herrmann compôs um concerto de castanholas e xilofone, que soa como ossos batendo. Após
esse grande sucesso, em 1959 Harryhausen mudou sua base de operações para a Inglaterra,
em razão de haver um novo processo de efeitos especiais à base de sódio, e lá era o
único lugar onde estava disponível. O primeiro produto dessa nova fase foi The Three
Worlds Of Gulliver (As Viagens de Gulliver), e novamente Harryhausen reuniu-se com Kerwin
Mathews e Bernard Herrmann. Apesar de não repetir o sucesso de Simbad, este filme, o
primeiro que utilizou-se do processo de sódio, é inigualável na combinação de
imagens, especialmente nas cenas de Gulliver em Lilliput. A animação quadro a quadro,
apesar de fazer-se presente, não foi o destaque, e Harryhausen teve a oportunidade de
aprofundar-se em uma variedade de outros efeitos.
A primeira realização dos anos 60 da dupla Schneer-Harryhausen foi Mysterious
Island (A Ilha Misteriosa), baseada na novela de Júlio Verne. Sendo a seqüência de
20.000 Léguas Submarinas, as comparações (desfavoráveis) com o clássico filme de Walt
Disney foram inevitáveis. Mesmo assim, os fãs apreciaram bastante as cenas com as
criaturas gigantes (um caranguejo, algumas abelhas, um pássaro e um polvo
pré-históricos), além de mais uma vibrante trilha de Bernard Herrmann. Encerrada a
produção, mesmo antes da estréia de A Ilha Misteriosa, Harryhausen já trabalhava
naquele que ele considera seu melhor filme, Jason And The Argonauts (Jasão e o Velo de
Ouro). O processo de produção foi exaustivo (dois anos), em que Harryhausen
encarregou-se praticamente de todos os detalhes, desde o esboço dos personagens até a
escolha do elenco e das locações (cenas foram filmadas na Itália e Grécia). Apesar de
mostrar uma galeria de monstros mitológicos que incluía o gigante de bronze Talos, as
Harpias e a Hidra de Sete Cabeças, como em Simbad a cena mais lembrada é um duelo com
esqueletos. Segundo Harryhausen, a cena, que novamente foi musicada vibrantemente por
Herrmann, poderia ter um impacto ainda maior se tivesse sido filmada à noite, o que não
foi possível devido às complicações técnicas que seriam decorrentes.
  
Uma das sequências mais Espetaculares !!!!
O processo de
combinar as cenas dos atores com as de efeitos especiais quadro a quadro, em uma época em
que usar computadores no cinema era algo impensável, foi extremamente complexo. Além do
processo ótico em si, as cenas deviam ser cuidadosamente planificadas, com todo os
movimentos de câmera calculados. Para que o diretor não tivesse qualquer dúvida a
respeito do que ele queria, Harryhausen fazia no mínimo 600 rascunhos de cada cena.
Para mim, a criatura mais incrível de Jason And The Argonauts foi a Hidra de Sete
Cabeças, mas o destaque sempre vai para a batalha dos esqueletos, claro. Fiz toda a
animação quadro a quadro, usando projeção de fundo em praticamente toda a seqüência.
Ensaiamos três semanas com os atores, antes de filmar a cena. Posteriormente, na
animação, conseguia filmar no máximo 13 quadros por dia, já que tinha sete esqueletos
separados para manipular. Levei quatro meses e meio para concluir apenas este
segmento.
Posteriormente, ao longo dos anos 60, Harryhausen realizou mais alguns filmes
que, apesar de serem tecnicamente impecáveis, não repetiram o sucesso de seus
predecessores. Dessa fase, que incluiu First Men In The Moon (baseado em H. G. Wells), The
Valley Of Gwangi (a retomada de um antigo projeto de Willis O´Brien, em que cowboys
descobrem um Alossauro vivo no início do século) e One Million Years B. C., talvez este
último tenha tido mais destaque. Uma produção da Hammer inglesa, Mil Séculos Antes de
Cristo foi o filme que lançou a seminua mulher-das-cavernas Raquel Welch à fama. A
trama, refilmagem de um filme dos anos 40, envolve os conflitos entre duas tribos
pré-históricas, e como em um desenho dos Flintstones, os dinossauros, que foram extintos
milhões de anos antes do surgimento do homem na Terra, são uma presença (ameaçadora)
constante. Segundo Harryhausen, essa infidelidade científica é secundária,
e serviu bem aos propósitos do filme. De qualquer sorte, o realismo desses dinossauros
somente foi superado em 1993, com as feras digitais de Jurassic Park. Já nos anos 70,
buscando recuperar a magia dos velhos tempos, a dupla Schneer-Harryhausen resolveu
retornar às 1.001 noites com The Golden Voyage Of Sinbad (A Nova Viagem de Simbad).
Novamente com locações na Espanha, o filme traz uma nova galeria de criaturas bizarras
para infernizar Simbad e sua tripulação, como o Homúnculo, a estátua da deusa Kali, o
Centauro de um olho só e o Grifo. John Phillip Law substituiu com desvantagem Kerwin
Mathews no papel principal. Tom Baker, então famoso na Inglaterra por sua atuação na
série cult Dr. Who, fez o mago Koura, e a musa da fantasia dos anos 70, Caroline Munro,
era a mocinha raptada pelo terrível Centauro. Apesar de não chegar aos pés do primeiro
Simbad, esta seqüência ainda ofereceu muita diversão graças à magia dos efeitos
especiais e à música do veterano Miklos
Rosza, que compôs uma trilha digna dos antigos clássicos de aventura. Encerrando os
anos 70, Sinbad And The Eye Of The Tiger (Simbad contra o Olho do Tigre) encerrou a
trilogia, e infelizmente foi o mais fraco da série. Apesar de Patrick Wayne interpretar
um Simbad em muito superior ao de John Phillip Law, o filme em si deixou a desejar. A
concepção das criaturas foi fraca (a melhor talvez tenha sido a Morsa gigante), e bem
mais interessante que elas foram as beldades Jane Seymour e Tarin Power tomando banho nuas
em um rio. Talvez a pouca receptividade do filme deva-se em parte à época de seu
lançamento, 1977.

Foi no ano do estouro de Guerra nas Estrelas, que ofuscou os monstros
pré-históricos e mitológicos e colocou na moda os filmes espaciais. O velho
Harryhausen, no entanto, não desviou-se de seus princípios. Ao longo de sua carreira,
tornou-se um verdadeiro herói para os fãs da fantasia e da animação, pois foi uma das
poucas pessoas do cinema que continuaram a conjurar monstros, mesmo quando eles ficaram
fora de moda. Em seu
primeiro e único filme da década de 80, Clash of The Titans (Fúria de Titãs),
Harryhausen voltou ao seu período favorito, a antiga Grécia, com um orçamento maior que
o normal, utilizando todas as técnicas que aprendeu com o passar dos anos. Contando o
tempo de filmagem com atores, o veterano técnico e sua equipe trabalhou 2 anos neste
último épico, animando figuras mitológicas como Pégaso, Calibos e a Medusa. O filme
narra a luta do herói Perseu para conquistar a mão da bela Andrômeda, enfrentando em
seu caminho homens, monstros e deuses. Além da animação quadro a quadro, o filme teve
outros efeitos impressionantes, como o maremoto provocado por Kraken, que destruiu a
cidade de Argos.Apesar de não ter realizado mais filmes, limitando-se a realizar pequenas
pontas (homenagens) em filmes e documentários, Ray Harryhausen deixou um inigualável
legado no cinema, e como seu mestre Willis O´Brien, foi o ídolo e a inspiração de
jovens que dedicaram toda seu esforço e criatividade à arte da animação dimensional.
Para muitos, e principalmente para nomes como Jim Danforth (Quando os Dinossauros
Dominavam a Terra), David Allen (O Enigma de Outro Mundo, O Jovem Sherlock Holmes) e Phil
Tippett (O Império Contra-Ataca, Robocop), um novo mundo foi descoberto quando
assistiram, maravilhados, o Ciclope e o Ymir fazerem coisas somente possíveis nesses
filmes fantásticos, que foram exibidos nas melhores matinês de todos os tempos. Ray
Harryhausen ganhou o Oscar em 1991 (Prêmio Gordon E. Sawyer), pelos avanços que
proporcionou nas técnicas de efeitos visuais especiais.

Música composta por Bernard Herrmann. Interpretada pela Royal Scottish National
Orchestra, dirigida por John Debney. Gravada por Jonathan Allen. Masterizada por
Bruce Botnick. Album produzido por Robert Townson.
Dirigida por Nathan Juran. Interpretada por Kerwin Mathews, Kathryn Grant, Richard
Eyer, Torin Thatcher, Alec Mango, Danny Green, Harold Kasket, Alfred Brown, Nana
DeHerrera, Nino Falanga, etc.

Dinamation !! Os efeitos especiais do passado !!!
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