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Julio Verne

"O mundo possui seis continentes: Europa, África, Ásia, América, Austrália e
Júlio Verne."
Claude Roy
Pelas Rotas da Aventura...
Vem de longe o interesse da humanidade pela antevisão da sua vida,
tanto a nível individual como a nível colectivo. Evadir-se da prosaica realidade e
refugiar-se no sonho revigorador tem sido, de facto, uma constante desde os tempos mais
remotos. Assim, as aventuras vividas fora dos limites palpáveis da superfície do globo
terrestre surgem amiúde, surpreendendo, às vezes cepticamente, os contemporâneos dos
autores e arrancando encomiásticos elogios aos contemporâneos dos factos previstos e
narrados muito tempo antes.
Circunscrevendo os breves exemplos seguintes apenas aos domínios da
fantasia literária abordada também por Júlio Verne, refira-se que o sonho de alcançar
a Lua se encontra já relatado no século I a.C., Das Coisas Incríveis que se Vêem
para lá de Tule, por António Diógenes, e depois surge em obras de Luciano de
Samósata, História Verdadeira (180), de Ludovico Ariosto, Orlando Furioso
(1516), de Johannes Kepler, Somnium (1634), e de Cyrano de Bergerac que, além do
nariz imortalizado duzentos anos após a sua morte, nos legou História Cómica dos
Estados e Impérios da Lua e a História Cómica dos Estados e Impérios do Sol,
publicados, respectivamente em 1957 e 1662.
O espaço e o tempo - pretéritos ou futuros - aparecem associados no
último romance de Restif de La Bretonne, Les Posthumes (1802), que coloca o herói
a viajar "entrando no corpo" de outros homens e a concluir que "os meses
correspondiam a séculos!"
Quanto ao que possa acontecer no fundo do mar constitui também fonte
antiga de preocupações, pois já Francis Bacon admitia a existência de submersíveis na
sua obra A Nova Atlântida (1621) e um autor anónimo imaginou, em 1721, um navio
que é engolido pelas águas e origina a Relação de Uma Viagem do Pólo Ártico ao
Pólo Antártico pelo Centro do Mundo.
Por sua vez, a exploração do centro da Terra pode ser bem ilustrada
pelo incansável aventureiro veneziano Giacomo Casanova que, no seu Icosameron,
publicado em 1788, explica como é que "Edouard e Elizabeth passaram oitenta e um
anos com os Megamicros, habitantes aborígenas do Protocosmo no interior do nosso
globo".
Vêm, pois, de longe os alicerces sobre parte dos quais haveria de
assentar um novo género literário, baptizado scientifiction em 1926 por Hugo
Gernsback (1883-1967), designação que rapidamente evoluiria para science fiction
(ficção científica, em Portugal).
Antes, porém, de ser alcançada esta evolução faltava o
valiosíssimo contributo de muitos escritores do século XIX, todos eles impulsionados
pelos progressos da Ciencia, nessa época tão pródiga em invenções pioneiras das que
seriam aperfeiçoadas no século seguinte. Cite-se, por todos, Sir Humphrey Davy que,
além de criar a lâmpada de segurança dos mineiros, publicou, em 1828, Os Últimos
Dias de Um Filósofo, pretexto para descrever uma visita a Júpiter e a Saturno.
E ainda faltava, acima de tudo e de todos, surgir o
"continente" Júlio Verne!

Maior clássico de Júlio Verne. Seria possível dar uma volta ao redor do mundo em
apenas 80 dias? Embarque nessa obra-prima de Júlio Verne, onde um inglês e seu
criado aceitam esse desafio e vivem grandes aventuras ao longo de sua jornada.
Durante a Guerra Civil americana, em 1865, cinco homens fogem de um campo de prisioneiros.
Partem em um balão e enfrentam terrível tempestade. Caindo ao mar, têm a sorte
de encontrar uma ilha. Trata-se de uma ilha deserta, perdida no Pacífico.
Enquanto os cinco náufragos lutam pela sobrevivência, sem saber o que o futuro
lhes reserva, uma força invisível parece se manifestar nos momentos mais dramáticos.
E fatos inexplicáveis começam a ocorrer...
Rios ferventes, monstros pré-históricos e um traicoeiro oceano são alguns dos perigos
que aguardam os aventureiros nessa viagem fantástica.
Na vastidão da África, um cientista pretende descobrir as nascentes do rio Nilo. Como
meio de transporte, utiliza um balão projetado por ele mesmo, enfrentando
todas as formas de perigo numa aventura surpreendente.
 Cartaz Cinema
Abordo de seu fabuloso submarino, Nautilus, o enigmático capitão Nemo percorre o
planeta,
atacando navios que o perseguem e ajudando povos que lutam pela liberdade.
A bordo do Nautilus, três pessoas indesejadas presenciam o incível mundo de Nemo.
Uma das mais incríveis obras de Verne. A descrição detalhada de uma
viagem à Lua feita no século XIX.
A descrição feita por Verne dessa viagem é tão emocionante quanto a conquista do
espaço
pelos astronautas modernos. A viagem dos três astronautas de Verne termina com
a criação da sociedade das comunicações interestelares. Em uma época que
não se conhecia a tecnologia, Verne consegue prever em forma de aventura, uma viagem
pelo espaço até a Lua.
Um misterioso e fulgurante raio domina a curiosidade de uma pessoa que se leva até as
últimas conseqüências com a única intensão de ver o raio verde.
O capitão Hull morrera na caça a um baleia, com toda sua tripulação. Assumira o
comando
do navio "peregrino" o jovem aprendiz de quinze anos, Dick Sand. Mas nem a morte
do capitão nem a falta da tripulação conseguem abalá-lo.
O poder de um só homem contra a humanidade, dominando a tudo e a todos.
Uma obra clássica de Júlio Verne.
Nesse volume, Júlio Verne, sem deixar de ver o lado imoral dos conquistadores,
deixa-se levar mais uma vez por seu gosto pelas viagens extraordinárias.
Traz as lutas de um vigia de um farol contra um bando de piratas que depois de matar dois
guardas se apoderam do farol. O heroísmo do único sobrevivente. Obra publicada em 1905.
Para cumprir sua missão, Miguel Strogoff precisava percorrer 5.500 km entre
as tropas inimigas. Miguel Strogoff é o prototipo do herói perfeito. Forte e determinado
ele vence todos os obstáculos.
A história reúne elementos de mistério e suspense. Um acidente criminoso numa
igreja, um trio sinistro composto de uma bruxa, um assassino e um Padre renegado,
caminham numa trama bem elaborada, recheada de longas e minuciosas descricões.
Zartog Sofr, um dos mais brilhantes cientistas do Império dos Quatro Mares,
encontra um cilindro metálico antiquíssimo em uma escavação. Dentro estão folhas de
papel escritas em uma linguagem desconhecida, que ele muito intrigado traduz.
Descobre assim a aventura perturbadora dos primeiros homens de sua era e o quão pouco
sabe a sua ciência... Francis Benett é diretor do Earth Herald, o jornal mais poderoso
do
mundo. Entre chamadas visofônicas, passeios de aerocarro e reportagens por telefoto
ele decide a política da mais tradicional colônia norte-americana - a Inglaterra - o que
fazer com a Lua e quais os inventos que deseja financiar. Um dia cheio na vida de um
jornalista do século XXIX. E assim Júlio Verne uma vez mais confirma sua fama de
escritor imaginativo, o mais lido entre os jovens do mundo todo, mesmo 80 anos após sua
morte.
Na Sociedade Parisiense do ano
de 1.960, onde imperam o dinheiro e a
tecnologia, o protagonista Michel e seus amigos passeiam por um futuro não muito
distante da realidade atual. Entre outras coisas, o escritor antecipa a invençã do fax.
Mais obras:
... singrou Júlio Verne...
Foi na cidade costeira francesa de Nantes que, no dia 8 de Fevereiro
de 1828, nasceu Jules Verne, desde sempre Júlio Verne em Portugal. O pai, Pierre Verne,
era advogado e a mãe, Sophie Allotte de la Fuÿe, descendia de uma família na qual
existiam navegadores e armadores, Júlio Verne teve um irmão, Paul, e três irmãs: Anne,
Mathilde e Marie.
Recebidas, aos seis anos de idade, as primeiras lições facultadas
pela viúva de um capitão de longo curso, logo aos onze anos arranjou maneira de embarcar
num veleiro prestes a zarpar para as Índias mas, percorridas poucas milhas, o pai
conseguiu interceptá-lo. Motivo do embarque: trazer um colar de coral para a sua prima
Caroline Tronson. Esta porém, que nunca correspondeu à paixão do futuro escritor,
casou-se, em 1847, e ele garantiu ao seu amigo Aristide Hignard quando, em 1848, foi
estudar para Paris: "(...) parto porque não me quiseram, mas hão-de ver de que
estofo era feito este pobre jovem que se chama Júlio Verne."
Em Paris completaria, de facto, o curso de Direito, tirado por
imposição paterna, mas o seu interesse maior concentrava-se no teatro, chegando a
relacionar-se com Alexandre Dumas, então proprietário do Théâtre Historique, onde
estreia a sua comédia em verso Les Pailles Rompues (12 de Junho de 1850),
alcançando as doze representações.
Ao mesmo tempo que continua a escrever poesia e teatro, comunica ao
pai que a única carreira que lhe interessa é a das Letras e, para melhor se preparar,
procede a inúmeras leituras na Biblioteca Nacional de Paris, as quais o levam a
apaixonar-se pelas descobertas científicas reveladoras da possibilidade próxima de um
mundo novo.
Achega não menos importante para cimentar este interesse nascente
foram as visitas a casa do explorador Jacques Arago, as quais lhe permitiram conhecer
muitos viajantes e geógrafos que lhe revelaram outras terras e outras gentes.
Partilhando o seu tempo entre explicações
"alimentícias", redacção de contos e sempre teatro - a opereta Colin-Maillard,
estreada a 20 de Abril de 1853, chega às quarenta representações - Júlio Verne
conhece, em 1856, Honorine de Viane, uma viúva de vinte e seis anos, mãe de duas
meninas, e com ela casará a 10 de Janeiro de 1858.
Auxiliado pelos conhecimentos do sogro e pelo dinheiro do pai, entra
na Bolsa de Paris como corretor e passa a escrever regularmente entre as cinco e as dez
horas da manhã. Apesar de tudo, ainda arranja tempos livres e férias que aproveita para
prosseguir estudos sistemáticos de Geografia, Matemática e Física, tendo em vista o seu
"romance da ciência", e para efectuar as suas primeiras grandes viagens:
Inglaterra e Escócia (em 1859), e Escandinávia (em 1861).
Neste último ano, a 3 de Agosto, nasce Michel Verne, seu único
filho e, em 1963, terá, finalmente, início a sua fulgurante carreira literária, quando
submete à apreciação do editor Pierre-Jules Hetzel - também ele autor de obras de
ficção paracientífica sob o pseudónimo de P. J. Stahl - o manuscrito do romance Cinco
Semanas em Balão.
Nesta altura, recorda Denise Escarpit: "Darwin acabara de
publicar o seu livro sobre a origem das espécies; Pasteur dera a conhecer os seus
trabalhos sobre a fermentação das leveduras; Reis tinha apresentado um esboço do
telefone; Lenoir inventara o motor a gás e Livingstine explorara a África."
Encontrava-se, assim, o grande público motivado para absorver com
avidez as obras que lhe perspectivassem, com base no possível-provável, os novos rumos
do Progresso. Hetzel, que tomara correctamente o pulso à conjuntura, não hesitou em
aceitar a publicação do romance proposto e estabeleceu um contrato segundo o qual Júlio
Verne se comprometia a escrever anualmente dois volumes durante vinte anos, recebendo dez
mil francos por cada um. Assinala-se que este contrato seria alterado cinco vezes, sempre
para incluir condições cada vez mais vantajosas para o autor.
O êxito foi imediato e Cinco Semanas em Balão apareceu
traduzido em todas as línguas da Europa. Ao longo de quarenta anos, haveria Júlio Verne
de criar mais "romances científicos", agrupados sob o título genérico de
"Viagens Extraordinárias".
Nasceu deste modo o grande Verne e iniciou-se uma série, quase de um
género novo, que tornaria célebre o Magasin d'Éducation et de Récréation,
contribuindo para a fortuna do editor e para a glória universal do escritor. Este
magazine, que obedecia à norma definida por Hetzel - "O instrutivo deve
apresentar-se sob uma forma que provoque o interesse" -, publicou duzentos e oitenta
e oito números em quarenta e dois anos.
Atraído há muito pela Picardia, Júlio Verne decidiu, logo em 1866,
mudar-se para Crotoy, onde adquiriu o seu primeiro barco - uma simples chalupa de pesca a
que deu o nome de Saint-Michel, em homenagem ao filho. Sucederam-se então
cruzeiros na Mancha e ao longo do Sena, a bordo do que ele chamava "o meu gabinete de
trabalho flutuante". Verdadeiros iates só os possuiria em 1874 - o Saint-Michel
II - e em 1877 - o Saint-Michel III.
Em Abril de 1867 chega a vez de cruzar o Atlântico com o irmão
Paul, a caminho dos Estados Unidos, mas em 1870-1871 é mobilizado como guarda-costeiro em
Crotoy, o que não o impede de continuar a escrever.
Finda a guerra franco-prussiana, instala-se num palacete que compra
em Amiens, cidade onde nascera a mulher, e passa a dividir o tempo entre os livros, os
cruzeiros e a vida burguesa, num equilíbrio perfeito que lhe permitiu atingir o apogeu da
fama e da fortuna entre 1872 e 1886. Dos numerosos cruzeiros, realcem-se os efectuados à
Noruega, à Irlanda e à Escócia, em 1880, ao mar do Norte e ao mar Báltico, em 1881, e
ao longo do Mediterrâneo, em 1884. "A minha vida está cheia, sem lugar para o
tédio, É praticamente tudo o que peço."
Todavia, para além da morte do pai, ocorrida já em 1871, outros
motivos de desgosto vieram ensombrar esta felicidade tranquila: um jovem demente, talvez
um dos seus sobrinhos, fere-o com duas balas de revólver; o falecimento da mãe (1887);
uma catarata na vista direita (1902).
Entretando, fora eleito para o Conselho Municipal de Amiens em 1889,
numa lista radical, por muitos classificada de ultravermelha. Começou aqui a gerar-se a
ideia de que Júlio Verne mostrava à superfície uma respeitável face burguesa e
evidentes sinais de um socialismo inesperado, descobertos com argúcia por Francis
Lacassin, em diversos trechos da sua obra.
Também membro da Academia das Ciências e Belas-Artes de Amiens,
veio a ser laureado pela Academia Francesa mas nem por isso deixou de escrever sempre,
chegando a afligir os familiares devido à sua excepcional capacidade de trabalho.
Numa carta dirigida ao irmão, em 1894, queixa-se ele:
"Tornou-se insuportável para mim qualquer alegria, o meu carácter está
profundamente alterado e recebi golpes de que nunca conseguirei recuperar." Paul
morreria em 1897 e a Júlio Verne, cada vez mais desolado, apenas lhe restava confessar:
"Quando não trabalho, deixo de sentir-me viver." De facto, produzirá ainda dez
novos livros antes de finar-se na sua residência de Amiens a 24 de Março de 1905,
justificando este comentário de Jean Tortel: "Júlio Verne, grande poeta da solidão
heróica, é um casa à parte e ultrapassa infinitamente o romance popular."
... com uma vasta obra...
Para além dos textos divulgados em vida do autor, tem ocorrido
periodicamente a publicação de inéditos, alguns deles só a partir de 1991, quando a
Mediateca de Nantes autorizou a revelação da primeira das "pequenas
maravilhas" que possuía nos seus arquivos. uma delas, no entanto, estava ainda na
posse de Jean Verne, bisneto do escritor, e foi anunciada em 1994 como "o primeiro
romence de Júlio Verne".
Para permitir ao leitor situar qualquer livro da "epopeia
verniana", apresenta-se, de seguida, uma lista cronológica tão completa quanto
possível, dividida em vários temas, indicando-se não só as datas conhecidas da escrita
dos obras como também os títulos das traduções portuguesas:
TEATRO
- La Conspiration des Poudres (1849)
- Drame sous la Régence (1849)
- Les Pailles Rompues (peça em 1 acto, representada a 12 de Junho de 1850)
- Les Savants (peça em 3 actos, 1850)
- Qui me Rit (1850)
- Collin-Maillard (opereta em 1 acto, escrita em colaboração com Michel Carré,
música de Aristide Hignard, levada à cena a 20 de Abril de 1853)
- Les Compagnons de la Marjolaine (mimodrama)
- Les Heureux du Jour (peça em 5 actos)
- L'Auberge des Ardennes (opereta)
- M. de Chimpanzé (opereta, com música de Aristide Hignard, representada em 1860)
- Onze Jours de Siège (peça escrita em colaboração com Charles Wallut, levada
à cena a 1 de Junho de 1861)
- Un Fils Adoptiv
- Le Tour du Monde (adaptação do romance A Volta ao Mundo em 80 Dias,
escrita em colaboração com Adolphe d'Ennery, estreada a 8 de Novembro de 1874 e
representada durante dois anos)
- Le Docteur Ox (adaptação, em 1877, da obra com o mesmo título, sendo a música
de Offenbach e o lobreto de Philippe Gille e Arnold Mortier)
- Les Enfants du Capitaine Grant (adaptação, em 1878, do romance com o mesmo
título, feita em colaboração com Adolphe d'Ennery)
- Voyage à Travers l'Impossible (1882)
CONTOS, NOVELAS E POESIA
- Martin Paz (Abril de 1852)
- Les Révoltés de la Bounty (A Revolta da "Bounty")
- Les Châteaux en Californie ou Père qui Roule n'Amasse pas Mousse
Frritt-Flacc (1884)
- Gil Braltar
- 1992 San Carlos et Autres Récits Inédits (1849/1850)
- 1992 Un Prêtre en 1839 (1847)
- 1992 Poésies Inédites (1847)
- 1994 Le Comete de Chanteleine (1867)
ENSAIO E DIVULGAÇÃO
- 1852 Les Premiers Navires de la Marine Mexicaine
- 1863/1864 Edgar Poe et son Oeuvre
- 1867 Géographie Illustrée de la France et des ses Colonies
- 1875 Une Ville Idéale (publicado com o título Amiens en l'An 2000)
- 1887 Chemin de France et de Gibraltar
- 1891 Souvenirs d'Enfance et de Jeunesse
- 1992 Voyage à Reculons en Angleterre et en Écosse (1848)
GRANDES VIAJANTES
- 1870 Premiers Explorateurs - Découverte de la Terre
- 1870 Grands Navigateurs du XVIIIe Siècle (Os Navegadores do Século
XVIII)
- 1870 Grands Voyageurs du XIXe Siècle (Os Exploradores do Século XIX)
AS VIAGENS EXTRAORDINÁRIAS
- 1863 Cinq Semaines en Ballon (Cinco Semanas em Balão)
- 1864 Voyage au Centre de la Terre (Viagem ao Centro da Terra)
- 1865 De la Terre à la Lune (Da Terra à Lua)
- 1866 Voyages et Aventures du Capitaine Hatteras (Viagens e Aventuras do Capitão
Hatteras)
- 1868 Les Enfants du Capitaine Grant (Os Filhos do Capitão Grant)
- 1870 Hector Servadac (Heitor Servadac)
- 1870 Autour de la Lune (À Volta da Lua)
- 1870 Vingt Mille Lieues sous les Mers (Vinte Mil Léguas Submarinas)
- 1872 Une Ville Flottante (Uma Cidade Flutuante)
- 1872 Les Aventures de Trois Russes et de Trois Anglais (As Aventuras de Três
Russos e de Três Ingleses)
- 1873 Le Pays des Fourrures (O País das Peles)
- 1873 Le Tour du Monde en 80 Jours (A Volta ao Mundo em 80 Dias)
- 1874 L'Île Mystérieuse (A Ilha Misteriosa)
- 1874 Le Docteur Ox (O Doutor Ox)
- 1875 Le Chancellor (A Galera "Chancellor")
- 1876 Michel Strogoff (Miguel Strogoff)
- 1877 Les Indes Noires (As Índias Negras)
- 1878 Un Capitaine de Quinze Ans (Um Capitão de Quinze Anos)
- 1879 Les Tribulations d'un Chinois en Chine (As Atribulações de Um Chinês na
China)
- 1879 Les Cinq Cent Millions de la Bégum (Os Quinhentos Milhões da Begume)
- 1880 La Maison À Vapuer (A Casa a Vapor)
- 1881 La Jangada (A Jangada)
- 1882 L'École des Robinsons (A Escola dos Robinsons)
- 1882 Le Rayon Vert (O Raio Verde)
- 1883 Kéraban le Têtu (Kéraban, o Cabeçudo)
- 1884 L'Archipel en Feu
- 1884 L'Étoile du Sud (A Estrela do Sul)
- 1885 Mathias Sandorf (Matias Sandorf)
- 1886 L'Épave du "Cynthia" (O Náufrago da "Cynthia")
- 1886 Robur le Conquérant (Robur, o Conquistador)
- 1886 Un Billet de Loterie (O Bilhete de Lotaria Nº 9672)
- 1887 Nord Contre Sud (Norte Contra Sul)
- 1888 Deux Ans de Vacances (Dois Anos de Férias)
- 1889 Le Chemin de France (O Caminho de França)
- 1889 Families sans Nom (Família sem Nome)
- 1889 Sens Dessus Dessous
- 1890 César Cascabel (César Cascabel)
- 1891 Mistress Branican (A Mulher do Capitão Branican)
- 1892 Claudius Bombarnac
- 1892 Le Château des Carpathes (O Castelo dos Cárpatos)
- 1893 P'tit Bonhomme
- 1894 Mirifiques Aventures de Maître Antifer
- 1895 L'Île à Hélice (A Ilha de Hélice)
- 1896 Face au Drapeau (Em Frente da Bandeira)
- 1896 Clovis Dardentor (Clóvis Dardentor)
- 1897 Le Sphinx des Glaces (A Esfinge dos Gelos)
- 1898 Le Superbe Orénoque (O Soberbo Orenoco)
- 1899 Le Testament d'un Excentrique
- 1900 Seconde Patrie
- 1901 Les Histoires de Jean-Marie Cabidoulin
- 1902 Les Frères Kip
- 1903 Bourses de Voyage
- 1904 Un Drame en Livonie (Um Drama na Livónia)
- 1904 Maître du Monde
- 1905 L'Invasion de la Mer (A Invasão do Mar)
- 1905 Le Phare du Bout du Monde (O Farol do Cabo do Mundo)
- 1906 Le Village Aérien (A Aldeia Aérea)
- 1906 Le Volcan d'Or
- 1907 Agence Thompson and Co. (A Agência Thompson e C.º)
- 1908 La Chasse au Météore (A Caça ao Meteoro)
- 1908 Le Pilote du Danube
- 1909 Les Naufragés du "Jonathan" (Os Náufragos do
"Jonathan")
- 1910 Hier et Demain
- 1910 Le Secret de Wilhelm Storiz
- 1919 L'Étonnante Aventure de la Mission Barsac
- 1991 L'Oncle Robinson (1861)
- 1994 Paris au XXe Siècle (1860)
... que reflectiu os seus gostos...
Boa parte de todo este acervo literário revela a nítida influência
do escritor americano Edgar Allan Poe (1809-1849) por quem Júlio Verne nutriu uma
especial admiração, ao ponto de dedicar-lhe em estudo em 1863.
Das histórias de Poe, as quais mais despertaram o entusiasmo de
Verne foram O Logro do Balão, Aventura sem Paralelo de Um Tal Hans Pfaal, Três
Domingos Numa Semana, Manuscrito Encontrado Numa Garrafa e Uma Descida no
Maelstrom. Na verdade, torna-se bem evidente que os temas destas obras vieram a ser
utilizados em muitos romances vernianos - Cinco Semanas em Balão, Da Terra à
Lua, A Volta ao Mundo em 80 Dias, A Ilha Misteriosa, Vinte Mil
Léguas Submarinas, Viagem ao Centro da Terra, etc. Isto sem esquecer A
Esfinge dos Gelos, que conclui o romance incompleto de Poe intitulado A Narrativa
de Arthur Gordon Pym de Nantucket.
... e deu origem a controvérsias...
Se considerarmos que, ainda há curtas dezenas de anos, a banda
desenhada - então "histórias aos quadradinhos" - era leitura boa só para
atrasados mentais, não causará espanto que os romances de aventuras, com conotações
científicas fossem repelidos pelos adultos - sérios de mais para aquelas
"fantasias"... - mas avidamente apreciados pelos jovens.
Louve-se, por isso mesmo, a notável perspicácia de Pierre Larousse
(1817-1875), o progenitor dos dicionários e enciclopédias que usam o seu nome, quando
observou premonitoriamente: "As obras de Júlio Verne, escritas para a juventude,
têm a rara boa sorte de agradar a todas as idades."
Claro que foi um brado lançado no deserto e Júlio Verne, tal como
os irmãos Grimm, Perrault, Swift, Anderson e tantos outros, lá foi ficando catalogado em
exclusivo para leitores infanto-juvenis até ao primeiro quartel do século XX, quando
André Breton e outros surrealistas descobriram todas as potencialidades contidas nos
textos vernianos.
Também o público, a pouco e pouco, se foi apercebendo de que a
tessitura das histórias possuía a consistência definidora das obras imortais, ou seja,
a capacidade de permitir mais de um entendimento, conforme a perspectiva de cada leitor.
Não admira, portanto, que Bernard Noël haja repetido a ideia de Larousse, mas agora
perante factos concretos: "Após o purgatório forçado, Júlio Verne conhece um novo
surto de interesse e torna-se o que nunca deixara de ser: um escritor para adultos."
A sua obra é hoje em dia a quarta mais traduzida em todo o mundo, apenas superada pela
Bíblia e pelos escritos de Shakespeare e Karl Marx!
Tal como sucedeu com as profecias de Nostradamus, a nível mundial, e
com as do sapateiro Bandarra, a nível lusíada, também nunca faltou quem conseguisse
arrancar a muitos textos de Júlio Verne as mais imprevisíveis previsões. É que
imaginação puxa imaginação...
Assim, tem-lhe sido imputada a antecipação do submarino a das
possibilidades de vida humana no fundo do mar (As Vinte Mil Léguas Submarinas e A
Ilha Misteriosa); do aniquilamento da nossa civilização por um cataclismo que poucos
sobreviventes deixa (O Eterno Adão); da astronáutica (Da Terra à Lua); da
invisibilidade, da televisão e do cinema (O Castelo dos Cárpatos); do
helicóptero e do mais pesado do que o ar (Robur, O Conquistador e O Dono do
Mundo); do primeiro satélite artificial (Os Quinhentos Milhões da Begume);
dos bombardeiros telecomandados (A Espantosa Aventura da Missão Barsac); do
automóvel (A Casa a Vapor); da descoberta do Pólo (As Aventuras do Capitão
Hatteras); tudo isto aqui presente a mero título exemplificativo.
Embora auxiliado por amigos, matemáticos e cientistas, na
elaboração de muitas das "maravilhas" que ornamentam as suas aventuras, tal
não o impediu de cometer alguns erros que os críticos se apressaram a apontar, como fez
Kingsley Amis: "A história e as ideias é que importavam. Quanto às últimas, as
científicas pelo menos, encontram-se naturalmente um pouco fora de moda: é o caso do
helicóptero com as suas setenta e quatro hélices horizontais, o túnel, no centro da
Terra, a nave propulsionada por um canhão a uma velocidade tal que os viajantes teriam
ficado reduzidos a pó antes mesmo de tê-lo deixado."
Mas André Bay opta por uma outra perspectiva e afirma: "Com
este título - Cinco Semanas em Balão - começa a conquista do mundo que, apesar
das prodigiosas descobertas da era atómica, continua fantástico. Muito pouco importa que
as entecipações de Júlio Verne estejam hoje, na maioria, ultrapassadas. Não importa
por aí além que tenha, em 1879, com Os Quinhentos Milhões da Begume, inventado a
grande Berta que bombardearia Paris em 1918, previsto as V1 e V2, a cibernética, o
cinema, a televisão, etc. O que conta é que tenha sabido convencer e apaixonar, a tal
ponto que o sucesso o obrigou a ressuscitar o capitão Nemo. As suas qualidades de
narrador conduziram-no a explorar o globo terrestre de ponta a ponta e em profundidade, e
também a conquistar o espaço de outros planetas, despertando assim nos espíritos uma
nova visão do mundo (...) Este homem, que sabia que as descobertas da Ciência
ultrapassariam as da sua imaginação, foi um campeão da liberdade; este mestre do
fantástico foi um realizador, um engenheiro do romance."
... mas deixou marcas...
De facto, e incontestavelmente, um "engenheiro do romance"
mas também uma fonte inesgotável de inspiração para a arte que ele ainda pôde ver
florir: o Cinema.
Foram tantas as adaptações das suas obras que o mais aconselhável
será ficarmo-nos pelas principais, recordando acima de todas as realizadas por Georges
Méliès, o primeiro a acreditar no futuro do "brinquedo" inventado pelos
irmãos Lumière: A Viagem à Lua (1902) e As Vinte Mil Léguas Submarinas
(1907); deixando sem referência numerosos filmes rodados até meados dos anos 50, é
nesta altura que surge a consagração de Hollywood: As Vinte Mil Léguas Submarinas
(1954) de Richard Flisher e com James Mason, inesquecível no papel do capitão Nemo; A
Volta ao Mundo em 80 Dias (1956) de Michael Anderson; Da Terra à Lua (1958) de
Byron Haskin; Cinco Semanas em Balão (1962) de Irwin Allen; O Capitão Nemo e a
Cidade Submarina (1969) De James Hill; Miguel Strogoff (1961) de Victor
Tourjansky, etc., etc., e etc., todos eles extensivos praticamente a qualquer parte do
mundo onde se exerça a arte cinematográfica.
... cada vez mais acentuadas!
A "viagem extraordinária" iniciada por Júlio Verne em
1863 está, portanto, muito longe de alcançar o seu termo, até porque a indústria
televisiva lhe alargou sobremaneira o espaço a percorrer.
E, de geração em geração, os remoçados heróis da saga verniana
conquistam cada vez mais admiradores, todos eles subjugados pelas suas fascinantes
personalidades: o íntegro capitão Nemo (As Vinte Mil Léguas Submarinas), o
arrojado engenheiro Robur (Robur, o Conquistador), o elegante Philéas Fogg com o
seu criado Passe-Partout (A Volta ao Mundo em 80 Dias), o corajoso e leal Miguel
Strgoff (Miguel Strogoff) são, entre outras, personagens de facto inesquecíveis,
tal como inesquecível ficaram o submarino Nautilus e a máquina voadora Albatros.
Além de relatar histórias passadas no espaço, no fundo dos mares
ou no centro da Terra, Júlio Verne - admirador confesso do Robinson Suíço de
Johann-Rudolf Wyss - dedicou desde sempre um carinho muito especial à conquista da
sobrevivência numa ilha deserta, pois "a Natureza encarrega-se de ensinar tudo a
quem sabe compreendê-la". A importância do tema ecológico na sua obra fica, assim,
bem comprovada pelos numerosos livros que o desenvolvem de forma cativante.
Possuidor de uma forte capacidade criativa, que tem vencido
facilmente as sucessivas vagas literárias postas em voga por críticos e ensaístas,
Júlio Verne é, sem dúvida, o escritor ideal para manter vivo o brilho da chama que
ilumina deslumbrantemente a estrada maravilhosa da Aventura!
Fonte: revista Super Interessante |
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