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Quando o telefone vermelho
tocava,Bruce Wayne e Dick Grason transformavam-se em Batman e Robin. Corriam para a Bat
Caverna pegavam o Bat Móvel e aí... POW,BANG,BOING ! Lutando contra
terriveis vilões, Mulher Gato, Pinguin, Charada, Coringa, Rei Tut, Sr.Gelo os
cruzados encapuçados protegiam Gotham City.

O herói de 5.000.000 de fans nas
Americas,das paginas do Globo Juvenil para a tela do CINEAC !!
- O NASCIMENTO DO MORCEGO
Batman foi criado por Bob Kane e apareceu pela primeira vez nos quadrinhos em maio de
1939, numa revista chamada Detective Comics. Ao contrário da maior parte dos heróis que
recebem super-poderes ou são uma espécie de deuses, a história do Homem-Morcego é bem
mortal. Bruce Wayne vê seus pais serem assassinados a sangue-frio durante um assalto,
quando ainda era um menino. Ele acaba sendo criado pelo fiel mordomo Alfred e se torna
dono de uma fortuna incalculável que engloba empresas e indústrias em Gothan City. Wayne
cresce decidido a usar seu dinheiro no combate ao crime. Surge então Batman para ajudar a
por fim aos crimes numa cidade à mercê de bandidos. Em algumas versões dos quadrinhos,
Batman é um ser introvertido, no fundo, atormentado pelo crime bárbaro que o deixou
órfão.
Robin teve uma origem parecida com a de Batman. Os pais de Dick Grayson eram acrobatas que
morreram durante uma apresentação. O menino foi levado a Bruce Wayne que, comovido com a
história, acabou se tornando o tutor do jovem. Depois de muito treino, Robin surgiu para
ajudar Batman no combate ao crime.
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Nos anos 40, foram produzidos alguns
filmes-seriados de Batman. Trinta capítulos com cerca de 25 minutos de duração em forma
de minissérie. No final de cada um deles tinha-se a impressão de que o herói tinha
morrido, fato que, evidentemente, era desmentido no episódio seguinte.
Foi no início dos anos 60 que a rede americana ABC mostrou um novo interesse em um
seriado que tivesse como tema central um super-herói. Os executivos queriam atrair
crianças com a nova série, mas sem deixar de lado adultos que liam gibis quando eram
pimpolhos no final dos anos 30. Depois de muita procura chegaram num personagem cujo
direitos autorais não eram tão elevados e que tornaria o projeto viável: Batman, o
Homem-Morcego.
A Fox foi o estúdio responsável pela produção da série e convocou
William Dozier e Howie Horwitz para o trabalho. Eles optaram por trazer Batman à telinha
sem esquecer o estilo que tornou o herói um sucesso nas histórias em quadrinhos. A
televisão em cores estava se tornando uma realidade nos lares americanos, e Batman
deveria explorar ao máximo o colorido vibrante para lembrar as HQs. O papel de Bruce
Wayne/Batman foi cair nas mãos do novato Adam West,
o preferido de Dozier, depois de testes com vários outros atores. Um que chegou a
disputar o papel com West foi Lyle Waggoner, que mais tarde interpretaria o major Steve
Trevor no seriado A
Mulher Maravilha.
Depois de vários testes, o papel de Robin/Dick Grayson ficou para Burt Ward, um
estudante prestes a completar 20 anos, que fazia bico numa imobiliária sem a menor
experiência em dramaturgia. Mas sua semelhança com o menino prodígio dos quadrinhos e o
fato de saber lutas marciais foram de grande ajuda para que conseguisse o papel. O ator
Alan Napier foi a primeira opção para interpretar o mordomo Alfred, e Madge Blake foi
convidada para fazer o papel de Tia Harriet. Esta personagem não existia nos quadrinhos e
foi a forma encontrada para tentar fazer com que o público não achasse que Batman e
Robin fossem homossexuais.

O que, de fato, não adiantava muito...
Afinal, desde os primórdios, a pergunta sobre qual o interesse de um playboy solitário
em criar um garoto órfão pairava sobre os fãs das histórias do herói, por mais
politicamente correto que fosse.Ao contrário de Alfred, tia Harriet não sabia que Bruce
e Dick eram, na verdade, os paladinos da Justiça, o que dava um certo clima de gato e
rato... Para completar o elenco fixo foram contratados ainda Neil Hamilton e Stafford
Repp, respectivamente o comissário Gordon e o Chefe O'Hara. Cabia ao comissário de
polícia avisar ao Homem-Morcego quando o herói deveria entrar em ação para defender
Gothan City de algum vilão. O chamado era feito pelo bat-sinal ou, como era mais
freqüente, pelo bat-fone.
O roteiro ficou sob a responsabilidade de Leonard Semple e o primeiro episódio de Batman
foi ao ar em 12 de janeiro de 1966. Para a estréia, a ABC promoveu uma campanha
publicitária fantástica que fez com que a série ficasse entre as dez primeiras
colocadas em audiência em seu primeiro ano.
O
cenário de Batman era superior ao dos seriados da época. Além de utilizar a cidade
cenográfica da Fox, alguns dos prédios foram criados especialmente para o programa, como
a fachada da chefatura de polícia. A própria batcaverna tinha um certo ar imponente,
recheada de equipamentos e radares - moderníssimos para os anos 60 -, com estacionamento
circular para o batmóvel, que dispensava
manobras. Aliás, foram construídos cinco carros para o herói, que existem até hoje e
estão nas mãos de colecionadores. As tomadas aéreas, como a saída do batmóvel da
batcaverna, eram freqüentes, como também as da cidade de Gothan City. A mansão Wayne
também tinha certo requinte, apesar de aparecerem apenas a sala e o estúdio onde ficava
o bat-fone. Neste estúdio havia o busto de William Shakespeare, onde Bruce Wayne acionava
a estante secreta que mostrava a passagem para a batcaverna. Em alguns episódios,
aparecem ainda o batcóptero, a bat-lancha e a bat-moto com o sidecar.

Os Arqui-Vilões
O elenco
de vilões de Batman merece destaque. As crianças da época não tinham idéia de que
atores do quilate de Vicent Price (Cabeça de Ovo), Cesar Romero (Coringa) e Burguess Meredith
(Pingüim) interpretavam os bandidos que tiravam o sossego dos moradores de Gothan City. O
primeiro episódio trouxe o Charada na pele de Frank Gorshin (o vilão também foi
interpretado por John Ashin). Julie
Newmar foi a intérprete mais famosa da Mulher-Gato. Com um corpo escultural de fazer
inveja a muitas mulheres da época, a vilã esbanjava sensualidade e sempre dava a
entender que queria algo mais com o Homem-Morcego e, às vezes, até chegava a balançar o
coração do herói. Mas como o senso de justiça falava mais alto, Batman não chegava a
ser persuadido pelas investidas da Mulher-Gato. Por estar ocupada em outras produções,
Julie foi substituída por outras duas atrizes no papel da vilã: Lee Mariwether e a negra
Ertha Kitt.
Coringa foi o vilão que marcou mais presença no seriado. Interpretado por Cesar Romero,
a única exigência do ator foi manter seu indefectível bigode que pode ser observado
pelos mais atentos debaixo da maquiagem branca do vilão. Por falar em maquiagem, um que
tinha horror a ela era Vicent Price, o Cabeça de Ovo, que era obrigado a usar careca
plástica para esconder os cabelos.
Burguess Meredith (mais conhecido como o velhinho que treinou Sylvester Stallone no filme
Rocky) criou o jeito anasalado de falar do Pingüim. Na verdade, um forma para disfarçar
o pigarro por causa da fumaça provocada pela piteira do vilão. Outro criminoso hilário
era o Rei Tut, interpretado por Victor Buono, um professor universitário de arqueologia
que perdeu a memória quando levou uma pancada na cabeça e acabou se tornando um vilão
que pensava ser um rei do antigo Egito.
Participar de Batman se tornou um must na época. O sucesso foi tanto que, durante o
primeiro ano do seriado, astros como Frank Sinatra, Elizabeth Taylor, Clint Eastwood e Kim
Novak, entre muitos outros, ligavam ou mesmo apareciam sem mais nem menos no estúdio para
que tivessem a chance de participar do episódio. E como não dava para transformar cada
convidado em vilão, um jeitinho original foi criado para encaixar os famosos na série:
toda vez que Batman e Robin tinham que pegar os bandidos de surpresa em algum esconderijo,
eles jamais usavam a porta da frente, muito menos escadas ou elevadores. Herói tem que
sofrer. Para isso, nada melhor do que subir vinte andares pelo lado de fora do prédio com
o auxílio da bat-corda! E durante a escalada dos justiceiros alpinistas, uma janela do
prédio sempre se abria e um astro hollywodiano dava o ar da graça. Entre os que
interpelaram os heróis estavam Jerry Lewis, Sammy Davis Jr. e Dick Clark.
Na mesma Bat-hora ...No mesmo Bat-canal!!
No início o seriado tinha 50 minutos de duração e ia ao ar sempre dois dias por semana
nos Estados Unidos. Ao final de cada episódio, Batman e Robin se encontravam nas piores
enrascadas. As armadilhas eram mirabolantes. Por vezes a Dupla Dinâmica era amarrada numa
corda prontinha para ir direto para um tanque de ácido. Ou era presa em uma catapulta
gigante no terraço de um prédio, onde a corda que os segurava deveria ser queimada pelos
raios do sol que atravessavam uma lente de aumento gigante. O pior é que nesse episódio
eles foram salvos por nada menos do que... um eclipse!
Batman
tinha um cinto de utilidades de fazer inveja a qualquer escoteiro por mais prevenido que
fosse. Estava preso em uma sala? Que tal o bat-laser? Pronto a ser esmigalhado numa
engrenagem gigante? Nada como uma bat-chave para degringolar a geringonça. E o bat-fone
portátil? Batman tinha um em 66, quase 30 anos antes do celular. As lutas? Bom, as lutas
eram uma diversão à parte. As cenas eram brindadas com onomatopéias que tomavam toda a
telinha, tipo POOF!!! BOW!!! PIFF!, e deixavam a garotada mais do que empolgada. Detalhe:
as palavrinhas só apareciam quando os heróis estavam prestes a ganhar a luta. Quando
perdiam (para serem capturados) os "sons" da pancadaria não apareciam.
O melhor de tudo era que, além do perigo em que a Dupla Dinâmica se metia, o final do
seriado contava ainda com uma narração de dar nos nervos feita pelo locutor (que no
original era lida pelo próprio produtor William Dozier), onde os 'últimos momentos' de
Batman e Robin eram narrados. Algo do tipo: "E agora Batman? E agora
Menino-Prodígio? Será mesmo o fim dos nossos heróis?! Não percam o próximo episódio
nesta mesma bat-hora, neste mesmo bat-canal". O jeito era esperar...mesmo tendo
certeza que tudo ia dar certo...a questão era: como eles iam escapar dessa?
Inexplicavelmente a audiência de Batman não foi bem durante a segunda temporada, em
1967, o que fez com que a ABC pedisse à Fox para cortar os episódios pela metade. Com a
duração de 25 minutos, as exibições se restringiram a uma vez por semana. Foi no
terceiro ano que um novo personagem surgiu para dar impulso à série: a Batgirl.
A
atriz e bailarina Yvonne Graig conseguiu o papel
da bibliotecária Barbara Gordon, filha do comissário Gordon, que aparecia na hora H como
Batgirl para dar uma mãozinha à Dupla Dinâmica. O intuito era atrair o público
masculino para a frente da tevê. O plano inicial de Dozier era criar uma série exclusiva
para a Batgirl mas, com a queda da audiência, acharam melhor usá-la como reforço no
seriado do Homem-Morcego. No início até que deu certo. Batgirl não tinha uma batcaverna
como os heróis titulares. Usava seu próprio apartamento onde, atrás de uma penteadeira
giratória, escondia seu uniforme e os apetrechos contra o crime. Além disso, possuía
uma bat-moto. Na dublagem brasileira, a moto virou bat-lambreta.
Vários problemas apareceram no decorrer da série. Adam West tinha certa necessidade de
aparecer e muito ciúme de Burt Ward, que era preferido pelas adolescentes. Durante as
gravações costumava falar mais lentamente do que o normal para sobressair nas cenas com
Ward interrompendo-o freqüentemente. Este- por sua vez- falava rápido para que impedir
que West cortasse suas falas. O pior é que toda essa picuinha ia ao ar porque muitas
cenas não eram refeitas para economizar filme. Portanto, quando víamos Batman falando
pausadamente e Robin tagarelando no melhor estilo "santo problema, Batman",
muitas vezes tratava-se de uma briga interna.
A censura também encrencou com Batman. Tudo porque o órgão genital de Burt Ward ficava
proeminente na sunga do Menino-Prodígio. O estúdio tentou disfarçar com duas sungas,
mas não adiantou. Então levaram Burt Ward ao médico para que tomasse pílulas para
diminuir o dito cujo. Ele tomou os remédios algumas vezes mas depois se recusou, temendo
"problemas futuros". A saída foi filmá-lo em plano americano, da cintura para
cima. Para se ter idéia, até o fato da dupla dinâmica não usar cinto de segurança no
batmóvel (fato que foi corrigido posteriormente) foi motivo de represália por parte das
autoridades americanas.
E apesar do reforço da singela Batgirl, a audiência de Batman continuou ladeira abaixo.
O que é difícil de entender é o motivo pelo qual a ABC pagava 65 mil dólares por cada
episódio à Fox, sendo que o estúdio gastava 75 mil para produzir cada um deles. Com
isso, o jeito foi cancelar a série para que a Fox tivesse lucro com as reprises.

Curiosidades:
- Como é que Batman e Robin escorregavam por aquele cilindro com roupas normais e
chegavam na bat-caverna já vestindo seus uniformes de combate ao crime? Eles desciam se
vestindo? Que coisa, isso!
- Um fato curioso e que dava nos nervos era por que a Tia Harriet nunca entrava no tal
estúdio da mansão Wayne onde ficava o bat-fone, mesmo quando o aparelho tocava. Ela
nunca entrou naquele aposento da casa?
- Se Robin era o Menino-Prodígio, por que era Batman quem solucionava os mistérios ?
- O Comissário Gordon falava com Batman freqüentemente pelo telefone. E também com
Bruce Wayne. Será que nunca desconfiou que as vozes eram as mesmas?
- Por que todos os vilões de Gothan City faziam tudo para descobrir a identidade secreta
de Batman e Robin e não aproveitavam para tirar a máscara deles quando os dois estavam
nas tais armadilhas mirabolantes e completamente indefesos?
- O mordomo Alfred era o único que conhecia a identidade secreta da Dupla Dinâmica e também da Batgirl. Mas não contava para os
patrões que a heroína era Barbara Gordon. Isso prova que o fiel mordomo não era tão
fiel assim, não é mesmo? : )
Resumo Final :
Adam West
tem 71 anos, ainda atua e faz pequenas participações em seriados e filmes. Ele nunca
parou de trabalhar e tornou-se famoso depois do seriado do Homem-Morcego.
Burt Ward fez pouca coisa depois de participar de Batman. Esporadicamente participa de
pequenos filmes. Hoje, aos 58 anos, bem gorducho, é dono de uma imobiliária.
Yvonne Craig, a Batgirl, hoje com 63 anos, também chegou a vender imóveis e hoje
participa de eventos. Ela parou de atuar no início dos anos 80, embora tenha feito um
filme em 90.
A maior parte dos vilões que davam todo o charme ao seriado já faleceu, como Vincent
Price, Cesar Romero, Burguess Meredith, Roddy McDowall e Frank Gorshin, o Charada,
recentemente. Julie Newmar, a Mulher-Gato também participa de seriados e recebeu uma bela
homenagem no filme "Para Wong Foo, Obrigada por tudo, Julie Newmar", com Patrick
Swayze.
Batman, Robin, Batgirl, Mulher-Gato, Pingüim e Cia marcaram uma geração que corria para
a frente da tevê logo nos primeiros acordes da musiquinha de abertura composta por Neal
Hefti, que até hoje está na mente de qualquer um. E a letra, por sua vez, se limitava a
repetir o nome do herói. E mesmo que você se lembre pouco do seriado, ela deve estar em
um cantinho da sua memória.
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