O ¨famoso¨ no passado personagem foi criado pelo
cartunista pernambucano Péricles de Andrade Maranhão, em 1943, e publicado de 23 de
outubro de 1943 a 3 de fevereiro de 1962. Os diretores da revista O Cruzeiro queriam criar
um personagem fixo e já tinham até o nome, adaptado de uma famosa anedota.

Péricles de Andrade Maranhão foi um adolescente
pernambucano desenhista daquele com talento de enlouquecer qualquer professor. Jovem
durante a fase áurea dos quadrinhos,por vezes imitou os traços de Dick Tracy,
Agente Secreto X-9, Flash Gordon.Menor de idade, chegou ao Rio de Janeiro, com uma carta de
recomendação para nada mais nada menos que Leão Gondim de Oliveira, manda-chuva dos
Diários Associados, então a mais poderosa rede de comunicações do país. Em sua
estréia, a 6 de junho de 1942, era o funcionário mais jovem da empresa . Nove meses
depois seu primeiro personagem cômico no Diário da Noite: Oliveira, o trapalhão
já divertia os leitores.
No ano de 1943 O Cruzeiro baseada numa
equipe jovem e de qualidade iniciava a revolução que faria nos anos seguintes se
tornando a revista mais importante do Brasil. Péricles participaria com um tipo
humorístico que traduzisse "a verve típica e o humor carioca", que captasse
"o estado de espírito daquele que vive no Rio de Janeiro, não importa onde tenha
nascido".

Rabisca pra cá, rabisca para lá, Péricles
coloca o lápis para pensar e emerge uma figura que lhe parece apropriada : baixinho,
cabelo penteado para trás à base de gumex, summer jacket, bigodinho safado, olhar de
peixe morto.Fez tanto sucesso que as tiradas que antes ficavam na capa e contra-capa
passaram a ser dentro da revista,evitando que as pessoas apenas as folheassem sem pagar.

O Amigo da Onça foi utilizado para fazer
jornalismo e críticas e em muitas situações o Amigo da Onça esculhamba instituições
como o casamento, exército e a hipocrisia social contida no jogo de aparências. Coube a Leão Gondim o batismo do personagem, baseado numa piada
da época:

Dois caçadores conversam em seu acampamento:
- O que você faria se estivesse agora na selva e uma onça aparecesse na sua frente?
- Ora, dava um tiro nela.
- Mas se você não tivesse nenhuma arma de fogo?
- Bom, então eu matava ela com meu facão.
- E se você estivesse sem o facão?
- Apanhava um pedaço de pau.
- E se não tivesse nenhum pedaço de pau?
- Subiria na árvore mais próxima!
- E se não tivesse nenhuma árvore?
- Sairia correndo.
- E se você estivesse paralisado pelo medo?
Então, o outro, já irritado, retruca:
- Mas, afinal, você é meu amigo ou amigo da onça?

O Amigo da Onça estreou em 23
de outubro de 1943, capturando de imediato a atenção dos leitores pela ausência de caráter que denuncia
o anti-herói brasileiro, de Brás Cubas até os dias de hoje.
O sucesso do Amigo da Onça entre os leitores era enorme, mal se
podia esperar pela próxima revista para vê-lo cometer as maiores
maldades: Enganar um podre transeunte na rua, pregar uma peça na sogra,
Azedar com o cara que pedia dinheiro emprestado, botar uma armadilha
para o chefe mal-humorado.
O Amigo da Onça foi publicado durante mais de 20
anos ininterruptos em O Cruzeiro. Ao contrário de repórteres como David Nasser e
Jean Manzon, desenhistas de humor como Carlos Estevão ou escritores como Rachel de
Queiroz, que transformaram seus nomes em grifes quão difícil era desvincular seu nome do
personagem. Com isto sofria muito, era sempre apresentado como o criador do Amigo da onça e
nunca como Péricles, De fato seu persongem foi seu amigo da onça.
Com o tempo e com todas as possibilidades que seu
sucesso lhe conferiu além de estar vivendo longe da família numa cidade como a savana
carioca, logo desenvolveu uma personalidade instável e se tornou um boêmio inveterado.
Péricles morreu de forma trágica. na noite de 31 de dezembro de 1961, ele escreveu
2 bilhetes, reclamando da solidão, fechou todas as portas do seu apartamento e ligou o
gás. Antes, por último o Amigo da Onça desencarnou de seu corpo e foi colocar um aviso na
porta, escrito à mão: "Não risquem fósforos".

Após a morte do companheiro o cartunista Carlos
Estevão continuou fazendo as páginas do Amigo da Onça . O personagem foi revivido pelo
menos mais duas vezes de lá para cá, tentativas mal sucedidas em termos de audiência.
Estranho...

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